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Terra Blog

18.12.07

Os Natais de Amarilis

Amarilis nunca acreditou em Papai Noel. Ela nunca precisou acreditar. Ela tinha o vovô, e ele bastava.

Mais ou menos no meio de dezembro ele pegava os netos e levava pro shopping, pra que todos escolhessem os presentes de Natal. Ele era generoso. Podia dar aos netos o que não pôde oferecer aos filhos. Então, para Amarilis e os irmãos só bastava escolher.

A mãe tentava impor respeito, fazer os filhos entenderem que não deveriam abusar da boa vontade do avô. Dos irmãos de Amarilis, só a Lu saía da regra. Mas o vovô não ligava. Queria era ver os netos felizes.

Em dezembro, com todo mundo reunido em casa, uma hora era sagrada. Era quando o vovô chamava os netos pra irem naquele quarto, onde ficavam os brinquedos comprados para  o Natal. "Olha só o que o vovô vai dar pra você", dizia ele, segurando as caixas e apontando bonecas, carrinhos, playmobil e outros brinquedos.

O vovô era um homem feliz. E espalhava felicidade onde fosse. Em casa, no escritório onde ainda tentava trabalhar, na rua, com os amigos, com a família. Ele ficava tão ansioso por ver os netos felizes que baixou um Ato Institucional. Lá na casa dele, as crianças ganhavam presentes de Natal no dia 24 de dezembro, logo que acordavam. Era felicidade pra criançada e alegria pro vovô, vendo todos eles se deliciarem com os presentes, comprados há mais de um mês.

À medida que o tempo passava, evoluíam os presentes. O vovô foi a primeira pessoa a incentivar Amarilis a soltar sua veia criativa. Deu a ela uma máquina de escrever portátil Olivetti. E os cadernos de textos, que depois foram rasgados (não foi Amarilis quem rasgou).

Um dia - Amarilis tinha 15 anos - aconteceu. Sua mãe veio chamá-la na escola. Chorando. Ela só disse: "Vovô morreu". Foi suficiente pra Amarilis entender que junto com ele ia embora o Natal, a alegria dos finais de ano, as nozes e castanhas quebradas só por prazer, e não pra comer. E foi embora toda estabilidade que ele trazia para a mãe de Amarilis.

Hoje, Amarilis tem a lembrança do vovô e do tempo em que viveram juntos. Sente saudade, mas já não chora por causa disso. O vovô não gostava de ninguém triste. Mas ficar feliz no Natal é praticamente impossível.

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 06:59:53

Top 5 da semana antes do Natal

1 - Ir pra BH e ver a cidade, que sempre é bacana, virar um caos, seja no centro, seja nos shoppings ou na Savassi. Quer um conselho? Faça as compras de Natal durante o mês de janeiro. Bem mais tranqüilo.

2 - Briga homérica com o namorado. Me fez repensar um monte de coisas. Até onde eu tenho de aceitar qualquer coisa que ele faça só porque ele diz que neste ponto ele não vai mudar?

3 - Receber aquele monte de cartões virtuais de Natal. Dá uma preguiça enorme. Mas agora, tô me vingando. Quem me mandar um cartão, recebe um de volta. Lotou minha caixa? Loto a sua também.

4 - Pensar na ceia e no almoço de Natal para duas pessoas e uma cachorra. A parte legal é que a cachorra come ração, então é um problema a menos. Chester, peru, pernil, frango defumado? Pra duas pessoas que não curtem tanto assim um almoço? É demais. Acho que vai rolar café com biscoitos caseiros!

5 - Não ter nada pra fazer da tarde de 21/12 até 25/12. Arrumei uma solução alugando as três temporadas de LOST.

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 06:45:10

14.12.07

Listas e festas

Estava pensando em fazer a lista das músicas que eu mais gosto (é que eu dei de presente pra um amigo o Livro das Listas). Mas não consegui fechar em 10, ou 20. Tem sempre aquela dúvida cutucando a minha orelha na hora de "definitivar" a coisa.

Então, segue a lista, não em ordem de importância pra mim, mas de lembrança:

- Chico Buarque: Construção; Na Ilha de Lia, no Barco de Rosa; Joana Francesa; A Rita; A Rosa; Todo Sentimento; João e Maria; Álbum Saltimbancos e Saltimbancos Trapalhões; Valsinha; Valsa Brasileira; Todos as outras músicas do Chico Buarque
- Beatles: Eleanor Rigby; Todo o álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band; The Long And Winding Road; Todo Anthology
- Suzane Vega: My name is Luka
- Engenheiros do Hawaii: Praticamente tudo
- Vinícius de Morais: Um homem chamado Alfredo; Regra Três; Marcha da Quarta-feira de Cinzas; Todas dos álbuns Arca de Noé; Cotidiano nº 2;
- Toda a trilha de A Noviça Rebelde; Mary Poppins; Pulp Fiction; Matrix;
- Elis Regina, cantando quase tudo;
- Praticamente tudo de: Guns; Madonna; Michael Jackson (até Bad);
- Extreme: More than words (heheheh)
- Orchestra Morphine: Tudo, tudo, tudo;
- Rancid: algumas bacanas, mas nunca lembro o nome;
- Frejat: Amor pra recomeçar; O poeta está vivo; Por você;
- E tem mais tantas... tantas... tantas... No momento, meu mp3 tem Nando Reis e Secos e Molhados

Últimas

Vovó caiu de novo. Não foi tão grave quanto a última vez mas é sempre traumático pra ela, que sofre com dores, e pra mim, que vejo que nem sempre posso resolver problemas dos outros.

Enquanto isso, vem aí as festas de Natal e ano novo e, neste ano, vou ter um Natal diferente. Só eu, vovó e a minha cachorrinha. Sem aquela gente toda que sempre aparece. Só nós, no nosso mundo. O namorado vai pra longe, passar com a família. E cada outra pessoa importante vai estar em algum lugar. Vai ser meu segundo Natal sem muita gente perto. O primeiro foi ótimo. Só eu e namorado, num bar 24h. Tomei tanta piña que não seu dizer como eu cheguei em casa. Este ano não vai ter piña. Mas vai ter mais calor humano.

Já no ano novo, vou estar em uma festa. Eu não vejo motivos pra comemorar um dia depois do outro, só porque foi convencionado como "passagem de ano". Mas vou pra festa desta vez. Mas vai ser uma festa um pouco chata, com uma turma de amigos que não tem feito outra coisa a não ser se desentender, já há uns dois anos. Fulano 1 brigou com Fulano 2. Quando eles começam a se acertar, Fulano 1 briga com Fulano 3. E quanto todo mundo se esforça pra esquecer, Fulano 1 briga com Fulano 4. Fulano 1 está sempre envolvido nos conflitos. Esta pessoa pode ser deletada do grupo de amigos? Não, porque é namorado/a de outro/a integrante da turma.

E aí o tal "ano novo" já vai começar com um ranço.

Mas quem se importa? Vai ter champanhe!!! Música, gente bacana, risos. Se eu for me preocupar com Fulano 1, vou perder o melhor de estar com os outros, os que não brigam nem caçam confusão.

 

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 08:22:31

12.12.07

Falta, muita falta

Hoje eu acordei com saudade. De gente, de bicho, de música e de coisa.

Saudade de doce de chocolate, do cheiro do talco do meu avô, da época em que eu passava as tardes escutando Chico Buarque e cantando igual a uma louca, do céu estrelado da Serra da Canastra e do ouvido paciente do meu melhor amigo ausente.

Saudade do tempo em que os amigos não arrumavam pretextos pra brigar e criar confusão, de quando eu andava de bicicleta na rua toda tarde e ia pra casa comer geléia de ameixa, do cachorro bonachão da minha sogra, até das minhas ex-lentes de contato.

Sinto falta da Tia, que me deixou, mas que visita toda noite no sonho, da época em que viajar era sinônimo de só fazer as malas. Da almofada que eu carregava pra cima e pra baixo e que chamava de mufinha. Do caderno em que eu anotava tudo - não era um diário - e que foi rasgado (não por mim) em pedacinhos. De picolé de graviola nas tardes de muito calor de São Luis.

Até saudade de quem sumiu por aqui. Primeiro foi a Nanda, depois a Cyh e agora a Thayza. E nas perdas, mesmo que virtuais, eu vou ficando meio órfã.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Ontem eu resolvi entrar neste blog http://www.menteaberta.globolog.com.br/ e achei ele bem bacana. Espero que gostem também.

 

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 07:15:48

06.12.07

Dos chimpanzés

Minha irmã mais velha tem um problema básico, e não é a bipolaridade. É que ela lembra de tudo. Tudo. T-U-D-O. Nos mínimos detalhes.

Já eu, esqueço tudo. Se eu fui capaz de esquecer até o meu sobrenome, que dirá o resto! A irmã não, ela começa a contar uma coisa que aconteceu comigo e eu não lembro. Pra refrescar a minha memória, ela lembra da roupa que eu vestia no tal dia, como estava o meu cabelo, até a cor da minha calcinha do dia ela sabe. E eu não lembro do episódio nem por decreto.

Vá lá, se não lembro bem do que eu fiz ontem, que dirá há 15, 16 anos?

Quem viu o Jornal Nacional de alguns dias atrás pode confirmar: chimpanzés jovens sabem mais de memória que os humanos.

É por isso que eu digo: quem esquece tudo é até normal. Quem tem memória de elefante tem QI de chimpanzé
  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 13:12:29