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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2007

31.07.07

Agosto dos ventos

Tá um frio de rachar!

Aqui na minha cidade, frio é uma constante, mas este inverno começou bem light. Talvez efeito do aquecimento global. O fato é que julho passou com temperaturas amenas. O finalzinho do mês é que teve frio. E aí, ele veio com força.

Ontem tava 12 graus dentro de casa! Aí, o jeito foi recorrer ao aquecedor. E fazer uma mini-sauna no banheiro antes do banho. E ligar também o aquecedor de água, pq a temperatura tá de congelar qualquer mão à procura de sabonete.

É a hora de voltar com a sopa e com aquelas roupas pesadas, cobertures felpudos, gorros, cachecóis e luvas.

Agosto começa amanhã e promete muitos ventos. Vento é pior que só frio. O vento é que congela o nariz e faz a bochecha ficar vermelha, igual a um pimentão.

Mas que os ventos gelados de agosto tragam coisas novas, um respiro de vida, amores e suspiros, que às vezes só são possíveis numa manhã de maio.

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 09:46:47

30.07.07

No hospital

Família com idade média de 80 anos tem dessas. Desde quarta estou "hospitalizada", acompanhando uma tia de 82 anos que está com pneumonia.

Aprendi que por mais que pareça que acompanhar um doente é simples, vc passa horas de verdadeiro horror. Sem nada pra fazer e sem conseguir fazer nada. Levei uma revista de Sudoku, um livro e um caderno para praticar, ler e escrever e não consegui fazer nenhuma dessas coisa.

Hoje, voltei à vida normal. Ou melhor, estou voltando, porque a minha cabeça continua lá, naquele quarto.

Mas aqui no trabalho, um jornal para fechar, um cliente dependente, uma viagem e um levantamento de dados me chamam.

Vou fingir, então, que tá tudo bem.

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 15:32:14

25.07.07

Medos

Eu tinha medos profundos.

Medo da bruxa que eu acreditava que vivia num canto escuro do andar de baixo da minha casa. Eu não queria nem olhar para aquele canto, com receio dela aparecer. Medo dos monstros que vivam dentro do armário de debaixo da cama.

Medo de que o escuro tomasse conta da casa. Da chuva forte que cortava a luz e fazia o escuro chegar repentinamente.

Medo do vovô ir embora e nunca mais voltar.

Medo do barulho dos sapatos o meu pai quando ele subia a escada. Medo de ter feito alguma coisa errada e ser castigada.

Já tive medo de ser rejeitada, de descobrir grandes mentiras, de perder a vida por bobagem. De sempre viver presa, de nunca respirar a liberdade e, por isso, perder a vontade de viver.

Liberdade de escolhas facilita a vida. Tive a liberdade de escolher que a bruxa e os monstros não existiam. Que para cada escuro, existe uma vela ou uma lanterna.

Escolhi a hora certa de sair de perto do pai dominador e violento. Dele, estou livre. Só não pude escolher a permanência do vovô. Ainda sinto a falta dele, 14 anos depois da partida.

Hoje, meu medo é não conseguir ler tudo o que eu quero, não viajar para todos os lugares que eu quero. E não emagrecer os 5 quilos que eu quero - agora.

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 10:19:33

24.07.07

Como não falar disso?

E há uma semana aconteceu um acidente aéreo daqueles de arrepiar. De dar medo dessas máquinas maravilhosas e dos homens que as operam. Deu medo de voar de novo. Deu medo de ler a lista dos mortos e encontrar um conhecido.

Não, não havia nenhum conhecido entre os mortos. Isso traz um alívio momentâneo. Porque não vou compartilhar uma grande dor de perda, mas compartilho a dor da tragédia. A dor de uma perda tão brutal.

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 10:07:53

Afastamento

Estive afastada daqui por uma série de coisas.

Trabalho acumulado foi a primeira. Uma pessoa sai de férias e muita coisa sobrou pra mim. Ontem, as férias acabaram. Estou ansiosa pelas minhas férias, mas ainda não tenho data.

Outra coisa que me afastou foram as particularidades da família. Na minha família, os tios são muito idosos. O mais novo tem quase 80 anos. E boa parte deles estão doentes. Uma tia que teve isquemia e está na cama há um ano e meio quase morreu. Foi sentenciada mesmo, o médico disse que é questão de tempo ela morrer. A tia que cuida dela (são dias solteironas) vai logo depois. As duas nunca se afastaram. A tia de 92 anos morreu quatro dias depois do aniversário de 89 da minha avó. A tia de 95 está razoável. De cadeira de rodas e sem conhecer ninguém. A outra tia, de 92, também está na cama, depois de um derrame. Com um lado paralizado e a visão comprometida. Difícil lidar com tanta gente com problemas assim.

A outra parte da história é a minha irmã mais velha, que tem uma psicose, mas que ainda não sabemos se é Transtorno Bipolar ou se é Esquizofrenia. Ela tem crises, rompantes, desiste de tomar remédios e os joga fora, gasta o que tem e o que não tem, agride pessoas - verbal e fisicamente - e é difícil controlar. Hoje ela mora com meus pais e está mais ou menos controlada. No futuro, eu vou ser a responsável por ela.

É claro que tiveram coisas boas nesse período. Vovó já recuperou da queda, o namorado tá maneirando na cerveja, o irmão mais novo decidiu ir pra Nova Zelândia, o mais velho foi pra Alemanha.

Prometo que serei mais frequente.

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 10:05:33