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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2007

29.06.07

Série Músicas que tocam fundo

Clareana
Joyce

Um coração
De mel de melão
De sim e de não
É feito um bichinho
No sol de manhã
Novelo de lã
No ventre da mãe
Bate um coração
De clara, ana
E quem mais chegar
Água, terra, fogo e ar
  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 11:02:57

Do gato

Eu não gosto de gatos. Nunca gostei. Desde pequena, queria ter cachorros. Hoje tenho uma híbrida de bichon frisé e poodle, encapetada que só ela, mas uma excelente companhia. Daqui a um mês, completa seis anos.

Pois bem... há sete dias, ela teve um problema. Eu estava em outra cidade, fiquei sabendo por telefone que ela vomitara sete vezes seguidas. Apavorada eu fiquei. Mas de longe, só poderia dar instruções. Lembrei do aviso de um veterinário, pai de um amigo. Se o cachorro não pára de vomitar, dê leite. Instruí para que isso fosse feito e ela melhorou.

Uma semana depois, outro caso me fez lembrar dessa história.

Era quarta-feira, eu estava trabalhando (o trabalho fica a três casas da minha residência). Pela janela - trabalho no segundo andar - vi alguma coisa cair no pátio lá embaixo. Olhei, era um gatinho. O mesmo que eu vi filhotinho, no quintal da minha casa. O mesmo que minha cachorra insistia em perseguir. Ele tinha caído do telhado.

Mas não era só isso. Estava passando muito mal. Já vi gato cair de alturas bem maiores. E este, mesmo tendo caído em pé, como todo bom gato, babava, vomitava e fazia barulhos estranhos. Avaliação rápida: estava envenenado. O veneno, já fazendo efeito há algum tempo, levara à queda do animal.

Pobrezinho. Juro que se houvesse algo a fazer, eu faria. Até levaria para casa. A imagem do bichinho ali no pátio, se debatendo, não sai da minha cabeça. ele morreu em meia hora. Apareceu a vizinha para contar que aconteceu o mesmo, um dia antes, com dois outros gatos da vizinhança, o irmão deste que estava no pátio, da mesma cor e tamanho - e que também foi perseguido pela minha cachorra - e outro mais escuro. Foi a vizinha que confirmou a hipótese do veneno.

Para completar, lembrei da minha bichinha vomitanto muito dias antes. E do leite que ela tomou. O leite tem essa capacidade de expulsar o veneno. Hoje, ela poderia não estar mais aqui. Assim como os três gatos, assassinados por um vizinho descontente.

Não gosto de gatos. Nunca gostei. Mas não acho justo que eles sejam mortos porque não agradam a alguém. Gatos se reproduzem muito rapidamente, podem até ser considerados uma praga. Mas isso justifica envenená-los? Pena que não sei que punições pode sofrer um envenenador de animais. Vou procurar saber. Pelo menos para proteger a minha cachorra da sanha assassina do vizinho.

 

 

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 09:07:07

03.06.07

A queda que não virou um passo de dança

Ela tem 88 anos. Parece que tem menos. Tanto física quanto mentalmente. Tem um vitalidade incrível, adora tomar conta - sozinha - da sua própria vida.

Gosta tanto de ser independende que odeia que façam qualquer coisa por ela. Que seja pegar o adoçante que está do outro lado da mesa.

Nessa ânsia de tomar conta de tudo, resolveu descer a escada no escuro. Não uma escada qualquer. Uma imponente escada colonial. E não um escuro qualquer. Meio "apagão", provocado pela queda de um disjuntor. Era noite e a luz da escada tinha sido atingida pelo apagão.

Desci pra resolver o caso do disjuntor e ela ficou no segundo andar. Pelo menos, deveria ficar.

Só vi que não tinha ficado quando escutei o barulho do corpo caindo. No escuro, corri e iluminei o corpo com a lanterna. A cabeça bater na parede. Sangue pelo chão. Aparentemente, nenhum osso quebrado.

No hospital, cinco pontos no corte. Em casa, dor e dificuldade de locomoção. Aquela senhora espevitada está de andador. Só por uns tempos, diz ela. Só por uns tempos, acreditam todos. No máximo uma semana.

Queria que ela durasse para sempre. Mas a queda me fez ver que mesmo o corpo e a mente estando jovens, o peso dos anos é implacável. Em um mês, ela faz 89 anos. E ainda tem muita vida pela frente.

Assim espero.

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 16:56:01

Da morte

Estive distante esses dias.

Muito por causa de uma morte chata na família.

Prima, 31 anos. Aneurisma. Morte cerebral.

Por que morrer de forma tão violenta? Por que tão jovem?

Difícil entender.

  • criado por  Lile criado por Lile
  • Postado em 16:45:02