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Na minha ânsia por liberdade, costumava sentar no parapeito da janela do décimo andar. Não era loucura pra uma garotinha de oito anos de idade. Uma perna ficava dentro do apartamento. A bunda, no beiral da janela. Outra perna, do lado de fora, solta no ar.
Era uma forma de me sentir livre, sendo uma criança tão presa.
Claro que eu fazia isso escondido dos pais. O meu pai não suportava nem que a cortina da casa fosse aberta. Vivíamos na escuridão total quando ele estava em casa.
E assim, pendurada na janela, lembrava de Cecília Meireles
O último andar
No último andar é mais bonito:
Do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.
O último andar é muito longe:
Custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.
Todo o céu fica a noite inteira
Sobre o último andar
É lá que eu quero morar.
Quando faz lua no terraço
fica todo o luar.
É lá que eu quero morar.
Os passarnhos lá se escondem
Para ninguém os maltratar
É lá que eu quero morar
De lá se avista o mundo inteiro:
Tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:
No último andar.
Cecília Meireles - Ou isto ou aquilo

criado por Lile
08:26:29Cresci sendo atleticana. E foi por acaso. Um vizinho um dia perguntou:
- Pra que time você torce?
- Qual que tem?
- Atlético e Cruzeiro
Gostei do nome Atlético. Naquela época, Cruzeiro era nome de dinheiro. A partir daí, passe a ser atleticana.
Me acostumei com as poucas vitórias, os jogos suados, a zuação dos cruzeirenses, as derrotas nas horas mais impróprias. Até o rebaixamento pra série B em 2006 eu achei necessário. Mas daí o Galo foi campeão. O primeiro time campeão brasileiro em 2006 (O São Paulo ganhou a série A um dia depois do Galo levantar a taça da série B).
Mas isso não adiantou muito, porque o time continuou jogando mal no início do Mineiro, este ano. Chegou a perigar ser rebaixado pra série B do estadual. Ironia do destino, o time se estabilizou e chegou à final contra o arqui-rival Cruzeiro. Quem é mais realista já sabia que seria difícil o Galo ganhar. Mas a esperança... ainda estava viva.
No último domingo, 29 de abril, começou o primeiro jogo das finais. O Galo tava jogando melhor no primeiro tempo. Teve mais chances de gol, chutou mais. Mas quem não faz... esse pensamento me afligia. O primeiro tempo terminou empatado em 0 x 0.
Mal o segundo tempo começou, 20 e poucos segundo de jogo, gol do Galo. Alegria que transborda, ao lado da apreensão de ver o time não conseguir segurar o resultado. Mas logo depois veio o segundo gol, um golaço! Com direito a lençol e tudo. Fiquei mais tranquila.
Entraram dois novos jogadores no Cruzeiro, que deram mais ritmo à partida. A apreensão voltou. Na reta final, 2 x 0 já era um ótimo resultado. Foi aí que o árbitro marcou o pênalti. Pra mim, foi legítimo. O cobrador bateu e lá fomos para o 3 x 0 no rival.
Liguei pro meu irmão pra comemorar o resultado. Enquanto falava com ele, escutei a TV também gritando gol. E o Galo comemorando. Era mais um, poucos segundos depois. Supresa, com o goleiro do Cruzeiro de costas para a partida, o jogador do Galo roubou a bola da saída cruzeirense e terminou com glória alvinegra uma partida memorável.
Se continuar assim, meu coração não aguenta! 4 x 0 na primeira partida da final!!!

criado por Lile
09:34:13