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O que dizer quando o excesso de álcool passa a incomodar um namoro? O que dizer quando esse incômodo acontece há seis anos, praticamente a cada 15 dias? O que dizer quando se coloca na balança os dois lados: namorado + álcool e sem namorado + sem álcool.
Não tenho nenhuma restrição à cerveja, que ele bebe sempre. Tenho restrição aos excessos constantes. Ele não sabe parar. Não sabe dizer não. Não conhece os próprios limites.
No começo foi mais difícil, eu tentava argumentar, conversar, e só levava patadas. Parei de confrontar, passei a conversar antes da sobriedade passar. Adiantou pouca coisa.
Hoje, sinto que não tenho mais o que fazer, que estou atingindo o meu limite. Não aguento mais. Não aguento escutar desaforos, receber aquele sorriso irônico de deboche. Não aguento, quando deixo tudo e voou dormir, encontrá-lo depois caído pelos cantos da casa. E depois ter de cuidar, dar remédio pra dor de cabeça, preocupar de vomitou, porque ainda não saiu do banheiro, se a respiração está constante.
Dizem que você pode comer e beber de tudo, só não pode abusar. Pois bem, estou cansada dos excessos, e sem forças pra aturar mais qualquer situação semelhante.

criado por Lile
09:32:22- Vou ao cinema hoje com uma garota.
- Olha, que progresso! Vai pegar?
- Não, é só uma amiga mesmo.
- Sei. Dizem que isso não existe. Já contou pra ela que é só amizade mesmo?
- Sério, não vai rolar nada. Ela me chamou pra ir ao cinema e meio que se convidou pra viri aqui depois fumar charutos.
- E vc tem certeza que não vai rolar nada? Da última vez que um homem, uma mulher e um charuto estiveram juntos, deu o que falar no mundo todo.
- Não enche, não vai rolar nada.
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Ele voltou do cinema com ela, a garota que queria fumar charutos. Foram pro terraço de casa, ao som de Pink Floyd. Uísque dividido em dois copos. Acenderam os charutos.
Ficaram batendo papo até a madrugada do dia seguinte.
Ácido, meu namorado tirou uma conclusão: feinha, de saia comprida e fumando charutos, só podia ser uma pessoa, a Catifunda.
O apelido pegou.

criado por Lile
11:06:27Última quinta, meu namorado saiu com os amigos. Era pra ser um encontro só de homens, mas um dos garotos levou a esposa. Quem disse que os homens se importaram?
Ele me contou que uma certa hora, resolveram fazer as listas das mulheres por quem trocariam as namoradas. As listas dos amigos tinham muitos nomes. O meu namorado, gracinha como sempre, disse que só me trocaria pela Liv Tyler.
Essa foi a deixa pra um dos garotos dizer que não valia, porque assim ele estava comparando um Chevette a uma Ferrari.
Resumindo: sou um Chevette 78, na visão dos amigos do namorado. Nada mal. Melhor que ser um fusca ou uma variant.

criado por Lile
08:17:32Quando pequena, gostei de aprender a andar de bicicleta. Primeiro com duas rodinhas, apoiando o pneu de trás. Parecia o velocípede, que eu acabava de deixar de lado.
Depois, só com uma rodinha. Tirava a rodinha do chão de vez em quando. Um dia, pedi pra minha mãe tirar a rodinha da bicicleta. E me senti livre.
Foi das poucas vezes em que me senti completamente livre. O vento no rosto, o mundo passando rápido. O quintal daquela casa ficou pequeno.
Eu queria a rua, mas não podia. Havia o playground do prédio, que era bem maior que o velho quintal. Era o tempo de correr. Velocidade no máximo. Era também o tempo de cair. E levantar. E voltar a correr. E de novo cair. Valeu a pena cada queda.
Em São Luis, finalmente a rua. O bairro era calmo, quase não havia carros nas ruas. A bicicleta era meu objeto de exploração da área. Ruas, ruelas, passagens. E em pouco tempo eu já conhecia todas as ruas do bairro.
Bicicleta. É no que penso quando imagino a liberdade plena e utópica. Ela se materializa no guidon, no pedal, nos pneus. Na possibilidade de fugir sempre que alguma coisa parece assustar.

criado por Lile
08:12:41Começo agora uma nova tentativa de blog. Espero ter mais tempo para me dedicar, desta vez.

criado por Lile
09:46:35